quinta-feira, 28 de junho de 2012

Incompatibilidade entre Ciência e Religião

Partilho aqui uma opinião curiosa acerca do tema religião vs ciência, escrita por um estudante de teologia e astrónomo amador: http://astropt.org/blog/2012/05/23/big-bang-e-deus/

O comentário que faço a isto é o seguinte:
Era assim que eu pensava também, em tempos que já lá vão, quando era católica. Eu não via incompatibilidade nenhuma entre ciência e religião, porque para mim, ciência e religião dão respostas a questões diferentes (a ciência, explica o mundo físico; enquanto que a religião se prende com um lado espiritual, que eu achava que sentia, e era algo onde eu ia buscar "apoio" emocional, através da dita fé); e não havia como misturar as coisas. Para mim, enquanto pessoa religiosa, nunca houve qualquer choque entre evolução e criacionismo, por exemplo. A maior parte dos católicos já nem coloca essas questões sequer, e aceitam perfeitamente as teorias científicas. Eu, pessoalmente, não sentia a minha fé minimamente abalada pela ciência, pois eu achava que a ciência explicava aquilo que deus tinha criado (e que coisas complexas e belas ele criava!).

Só mais tarde compreendi que a maior incompatibilidade, a meu ver (fora para aquelas religiões que claramente pretendem explicar o mundo físico com deus(es)), nem se trata do choque de teorias, como evolução vs criacionismo. A maior incoerência prende-se com o princípio do qual partimos, com o nosso critério para aceitar algo. Hoje em dia, como estudante e admiradora de ciência, é-me completamente impossível aceitar deuses, não porque eles me apresentem explicações para o mundo físico contrárias às que a ciência defende, mas sim porque, se eu acredito no método científico, e se aceito que ele funciona, porque convivo com os seus frutos no dia-a-dia; e se, por outro lado, nenhum outro método nem crença me dá as provas palpáveis, nem os resultados práticos que o método científico me dá; então, naturalmente, eu desenvolvo uma postura céptica em relação a tudo o que me rodeia - aceito e acredito naquilo que é comprovável e reproduzível (não há outra forma de fazer ciência). Falei de mim como estudante de ciência, mas isto aplica-se a QUALQUER pessoa que viva nos dias de hoje, pois qualquer pessoa hoje em dia usufrui da ciência e isso, para mim, implica que toda a gente acredite nela - embora muitos não gostem de assumir esse facto.

Não me cabe na cabeça, portanto, como é que alguém que se diz crente na ciência, que usufrui dela (seja porque vai ao médico, ou porque vê televisão, ou porque usa telemóveis, carros, computadores, etc), e que aceita, consequentemente, os princípios do método científico (questionamento, experimentação, comprovação, etc), consegue continuar a acreditar em coisas para as quais não existe qualquer prova, qualquer demonstração. Esta é, para mim, a maior incompatibilidade entre religião e ciência.